Speaker 1 (00:00:01) - Olá pessoal! Esse é o Passeando no Diário de Viagens Para onde quer que eu vá. Venham comigo. Oi gente, tudo bem? Nesse primeiro episódio do Participando, eu vou começar de maneira aleatória e por preferência e não por ordem cronológica das minhas pernas batidas por aí. Tá bom, Vou começar falando sobre a minha viagem recente para a cidade de Ouro Preto. E aí você me pergunta mas. Speaker 2 (00:00:24) - Você escolheu esse lugar? Por conta de todo o contexto histórico da Corrida do Ouro no Brasil e a exploração nosso povo dos escravizados na região por conta das curiosidades aprendidas na escola. Speaker 1 (00:00:35) - Não. Eu comecei por lá porque me disseram que era bonito aquelas calçadas de pedra sabão e porque eu gostei muito da novela Coração de Estudante. Que bom! E aí nós chegamos no porquê eu decidi ir lá por agora, né? Teve um feriado em novembro de uns quatro dias que eu não pude ir para o Rio e aí, a princípio, eu ficaria em casa de papo para o ar esses dias todos e teria como o único a fazer mesmo era finalizar uma cerca de madeira para o meu canteiro de plantas. Speaker 1 (00:01:05) - Para o meu cachorro, o maior de todos, o parar de comer as minhas couves que ele vem fazendo isso aí com certa frequência. E aí nisso eu comentei com o Bergson que eu tava meio fuén, sabe, pensando que eu ia ficar alone in the dark esses quatro dias e queria mesmo era conhecer algum lugar novo. E aí nessa ele colocou pilha para eu alugar um canto para dormir lá, porque eu tinha comentado, tava pensando em alguma cidade, talvez Tiradentes, talvez Ouro Preto. Aí ele pegou, botou pilha para alugar um cantinho lá e sem muito planejamento mesmo. Pegar aí para mim, particularmente, é meio novidade, porque normalmente eu sou aquela pessoa que vai pensando no roteiro da viagem e todo o meu conhecimento de Ouro Preto era basicamente a música Maria Solidária, do Beto Guedes, que é o tema de coração de estudante que o documentário do canal Nerd Show, né, falando que lá tem fantasma. Eu aluguei um quarto no hostel para uma noite e ia resolver passear dois dias do feriado, né? Porque eu tinha fechado um horário no BlaBlaCar para ir para lá assim no modo Vida louca, entrar no carro de estranhos e viajar dois horas. Speaker 1 (00:02:08) - Aí, no dia anterior ao previsto da viagem, eu fiquei com muito fogo no rabo de ir e eu resolvi, depois do trabalho, simplesmente ir para BH e tentar ir um dia antes. E se desse certo eu ia alugar uma noite a mais no hostel, já no carro a caminho de Ouro Preto. Se não der certo e alugar um lugar para dormir lá em Belo Horizonte. E no dia seguinte eu ia para o que eu já tinha fechado. Só que se eu não conseguisse um lugar para dormir em Ouro Preto enquanto eu já ia para lá, aí eu só ia me ferrar muito mesmo, porque essa era uma possibilidade que eu não tinha solução. Mas eu fui e deu tudo certo. Eu consegui adiantar a viagem, a estadia e cheguei lá de BlaBlaCar e cheguei viva, graças a Deus. Mas um detalhe que eu não sabia e só descobri assim que eu cheguei lá foi que eu descobri que o ponto final do BlaBlaCar não era no centro histórico da cidade, que era onde ficava o meu hostel. Era numa região dos estudantes, num bairro perto da universidade chamado baixista Bauxita. Speaker 1 (00:03:06) - Um negócio assim. E esse lugar Ele ficava a três km da Praça Tiradentes, que era onde eu deveria chegar e eu não sabia como chegar lá. E tava de noite porque eu fui para Belo Horizonte depois do trabalho e de Belo Horizonte para lá, mais ou menos duas horas e meia. E eu não ia ser maluca de ir andando esse trajeto todo completamente perdida no pagode lá, né? Aí nisso, como quem tem boca vai a Roma, eu parei uma moça na rua e perguntei primeiro como chegava na praça e segundo onde que eu tava. Depois eu perguntei se tinha Uber na cidade. Aí vem um spoiler para vocês. Não tem, mas tem um app né, que é próprio de lá e que é super faturado. Aí ela me apresentou o conceito do Táxi Bus, que é basicamente um Uber pool, onde eles cobram o valor da passagem de ônibus. Mas o ponto era num lugar diferente do que o ônibus em si passava. E aí a moça me assegurou que qualquer ônibus que eu pegasse me deixaria lá e que eu poderia simplesmente segui la, porque era o caminho dela e ela ia de ônibus. Speaker 1 (00:04:03) - E aí, o que que eu fiz? Segui uma pessoa estranha no ônibus que eu não conhecia para chegar no lugar que eu não sabia onde era. E aí eu abri o Google Maps, né? Porque eu ia verificando se realmente o ônibus estava indo para onde eu queria que ele fosse. Aí desci com ela lá e a moça foi embora, enquanto eu para subir ela simplesmente teletransportou e eu olhei para frente, onde eu tinha descido na Praça Tiradentes e automaticamente começou a tocar dentro da minha cabeça. Dança Maria Maria lança seu corpo jovem pelo ar. Ela já vem, ela vira solidária, nos ajuda que é a música tema de coração de estudante. Aí eu já estava com o Maps aberto. Eu só mudei a localização para ir para o hostel que eu tinha alugado. Show. Ele era perto de tudo ali, rapidinho, a pé e pelo mapa eu tinha visto, já que era numa rua inclinada, mas eu não estava preparada para chegar numa rua tão inclinada que as calçadas eram feitas de escada sem corrimão. Speaker 1 (00:04:58) - Mas escada, gente! E esse é um conceito muito mineiro. O conceito de essa rua é tão íngreme que ela tem escada na calçada. Aí eu primeiro dei aquela travada. Meu Deus, Ele anda nesse como que anda nesse chão? Tentei ir pelo meio da rua porque como a rua era de paralelepípedos eu pensei consigo ir travando o pezinho aqui nos paralelepípedos, Eu vou chegar lá. Mas chegou um momento que tava tão íngreme que eu travei e pensei se eu der um passo mais para frente, eu vou perder o equilíbrio e eu vou sair rolando. E aí? Primeiro eu fiquei uns 3/2 parada falando o que eu faço agora que eu não consigo voltar, não consigo ir para frente, não tem ninguém além de mim no meio da rua. Eu virei e falei. Se para cima, para baixo eu não consigo, eu vou para o lado. Aí eu peguei. Eu fui igual o caranguejo sabe, para beira da escada mais próximo. E aí eu peguei e fui descendo, mas descendo com medo de escorregar, porque tava o chão. Speaker 1 (00:05:51) - Tava esquisito porque tinha chovido aquele dia. Eu cheguei um pouco depois de uma chuva fina, então tava tudo meio escorregadio e eu tava na rampa, numa rampa. Aí eu peguei e preferi ir pela escada de pedra sabão mesmo, com medo de escorregar. Mas vamo que vamo. Foi aí, nessa brincadeira de me equilibrar no meio da rua, andar igual um caranguejo para o lado, subir na escada para poder descer para a reta do hostel. Eu peguei e fui ajustar a minha mochila porque ela tava pesada e estava tombando que eu tinha colocado no ombro. Só nessa brincadeira de eu ajustar minha mochila, girei meu pulso de um jeito errado, eu lesionei meu tendão, Só que essa informação eu guardei dentro da minha cabeça e falei assim Quando eu voltar para Pará de Minas eu resolvo isso. Daí nesse momento não dá. Continuei como se nada tivesse acontecido e cheguei no hostel, fiz o check in, tudo bonitinho, fiquei num quarto feminino com outras três meninas, só que uma delas ia embora no dia seguinte e as outras duas tinham chegado mais ou menos junto comigo. Speaker 1 (00:06:47) - A que estava indo deu umas dicas para gente do que fazer na cidade e nós três anotamos e montamos o nosso roteiro em trio, porque né gente, é assim que as coisas acontecem em hostel a gente tem que viver o momento. Tinha inclusive também um detalhe, um adendo tinha um ilustre desconhecido que estava hospedado em algum quarto do hostel, que ele estava na área externa, tocando violino e tocava violino maravilhosamente bem. Então assim, eu gostaria de mandar um abraço para você, garoto, que eu não sei quem é, porque a tua música tava ótima. E aí foi isso. Cheguei, nos organizamos por ordem de chegada, nos banhamos e saímos lá fora atrás de comida ou de algo legal para fazer, porque a gente não sabia como era a vivência dinâmica de Ouro Preto. E aí a gente pegou, entrou num restaurante todo estéril, só que não tinha preço. No cardápio, o que a gente depois descobriu que era proposital, né? Porque eles colocavam preços diferentes quando eles queriam. E aí vem aquele, aquele selo do alô Celso Russomano, porque né gente, não pode. Speaker 1 (00:07:42) - Nessa, nós acabamos terminando num rodízio de pizza delicioso num pub chamado Tenente Pimenta Rock Bar e gostaria inclusive de mandar um salve, né? Específico para a pizza vegetariana, que não prometeu nada, mas entregou tudo deliciosa. Eu não esperava que uma pizza vegetariana fosse tão gostosa E de lá a gente saiu e subimos a rua para voltar para o hostel, porque já estava tudo fechado ou fechando. Porque né galera, o mineiro dorme cedo, nunca esqueça. E quando chegamos no hostel a gente já chegou agendando o free walking tour para o dia seguinte, porque uma das meninas deu a ideia e todo mundo embarcou na onda dela. Beleza, Soninho. No dia seguinte a gente foi para o Free Walking Tour e logo no início a gente achou que o guia estava meio desanimado, sabe? E acho que ele não queria estar aqui não, hein? Mas aí, no meio do passeio, o homem trocou de alma e aí foi tudo muito divertido. Mas eu acredito que os créditos dessa mudança de mudança rápida de expressão foi por causa de um garotinho de uns nove anos que estava lá, porque ele simplesmente era um molequinho jogador de Minecraft e muito curioso. Speaker 1 (00:08:44) - E foi muito divertido ver o guia respondendo as perguntas dele, porque as perguntas iam desde. Ah, mas como que os desbravadores do ouro carregavam o peso ou Ah, mas por que jogaram sal na terra da casa do Tiradentes? E essas perguntas elas iam até mas é que tinha a pedra X, que era uma pedra que eu descobri que só existia no Minecraft. E aí depois a gente contou para ele, né, a existência do Age of Empires. E aí teve aquele momento do ué, mas esse jogo existia na sua época? Eu pensando garoto, eu tenho, sei lá, 20 anos mais velho que tu, Terminamos a nossa tour e aí nós fomos num boteco maravilhoso chamado Pizzaria Satellite, que apesar do nome de pizzaria, funciona mesmo como um boteco e é um lugar bom. É um lugar não gentrificação muito importante, com comida gostosa, cerveja gelada e preço justo. Nós comemos petiscos com cervejinha e depois nós fomos caminhar pela cidade olhando as modas, né? E logo depois a gente foi cair numa chocolateria para experimentar os cafés diversos com chocolate. Speaker 1 (00:09:40) - Só que depois de ter batido, perna comido, petisco tomado, cerveja tomado, café com chocolate, a Neneca bateu e aí a gente voltou para o hostel. Dormimos um soninho e resolvemos sair para dar um rolê e procurar um samba. Mas a gente não encontrou porque tava tudo fechado, porque o mineiro dorme cedo e aí a fome foi aumentando e a gente caiu aonde? No satélite para jantar inclusive. Galera, esse satélite, essa pizzaria satélite era tão bem. A comida que eu jantei não é uma comida de verdade arroz, feijão, carne e vinha tão bem servido que eu tive que trazer bife e batata frita para o hostel para esquentar mais para frente, caso dessa fome, porque simplesmente eu não conseguia comer tudo, não cabia mais comida dentro de mim, então eu tive que trazer marmita para casa. E nesse nível de bem servido, aí nós voltamos e dormimos o sono dos justos. Dia seguinte a gente acordou já. Já era meu terceiro dia que o primeiro cheguei no final. Mas vamos lá. Terceiro dia E aí uma das meninas desse trio que a gente formou, ela não pôde ir com a gente para o passeio de manhã, porque ela tinha que ficar em casa para atender os pacientes dela, que ela tinha consulta os pacientes dela agendados para amanhã. Speaker 1 (00:10:49) - Então eu fui com a minha outra companheirinha de aventuras. Aí nós iniciamos a tour. Igreja e rampa. Tudo tem rampa, Gente, a cidade não é plana, tá? Aceitem no coração de vocês. E aí nós visitamos umas cinco ou seis igrejas da cidade, o que não é nada comparando que tem 19 e todas elas são pagas para entrar. Mas o bizu é catar os horários das missas, porque na hora da missa você entra de graça. Speaker 3 (00:11:12) - E. Speaker 1 (00:11:12) - Todas as igrejas que eu fui são lindas. Eu não lembro o nome de todas, porque as vezes eu confundo os santos, mas era tudo lindo. Eu vi onde o Aleijadinho tá enterrado, uma das igrejas inclusive era na puta que pariu, no alto de um morrão que graças a Deus a gente estava descendo, porque para baixo todo santo ajuda, porque se fosse subida galera, eu ia desistir. Aliás, falando em rampa, nesse dia, saindo de uma das igrejas, nós resolvemos pegar um atalho e garoto achamos. Porque o que confiamos no logo ali do Mineiro é a gente subiu uma escada que segundo quem tava descendo, era só uma escadinha. Speaker 1 (00:11:45) - Aí você sobe uma rampa rapidinho e você tá lá. Mas meu parceiro teve um momento em que eu entrei em desespero porque eu não aguentava mais subir. Eu tava com medo de tomar um escorregão porque tinha chovido bem e eu não tinha coragem de descer, porque como era inclinado, era mais perigoso descer do que subir que chão de pedra sabão, né galera? Nunca esqueça. E a minha sorte foi que eu levei um guarda chuva que tinha aquele ascendente em cima que eu descobri que além de guarda chuva era uma ótima bengala, tipo aquele bastão de esqui que eu ia enfiando a ponta dele nos sulcos que tem entre as pedras e eu pegava impulso para continuar subindo porque tinha hora que não dava. Eu falava assim Gente, eu preciso enfiar esse guarda chuva aqui entre uma pedra e outra para ele travar e aí eu pego força nele para puxar meu corpo para subir. Tava nesse naipe aquela rampa, Meu parceiro começava com uma escadinha tipo coloridinha, tipo a escadinha do da Lapa, depois virava uma rampa na parceiro e tudo, pedra, sabão, tudo escorregando e eu entrando em desespero. Speaker 1 (00:12:39) - Mas ninguém se quebrou. Conseguimos chegar ao final depois desse cara de fortíssimo. Nós fomos na última igreja que era lindíssima e depois fomos encontrar a terceira Mosqueteira que tinha ficado em casa trabalhando, mas que agora já estava livre para voar. E a minha nova amiguinha que estava comigo nesse rolê de igreja de rampa. Ela descobriu que tinha esquecido a bolsa com todos os documentos na última igreja que a gente viu. E sabe aquele fôlego que só o desespero dá? Ela virou e disse Continua subindo que eu já te alcanço e aí continua subindo por motivo de rampa. Galera, eu tava em mais uma rua que era inclinada e no tempo de eu ir na feirinha de artesanato que era ali perto de onde ela reparou que tinha perdido a bolsa lá na igreja comprar um negocinho. Comprei dois negocinho lá e encontrar a terceira menina, a segunda que esqueceu a bolsa. Ela voou na igreja que tava lá longe, pegou as coisas dela porque todo mundo sabe que quem rouba a igreja não é o fiel. E voltou correndo. E tudo isso muito rápido. Speaker 1 (00:13:33) - Tanto é que quando eu saí da feirinha de artesanato, a garota já estava lá de volta. Ofereci Meu anjo, como que você conseguiu? Aí ela só me respondeu Eu estava desesperada e eu entendi. Só depois que ela encontrou a gente que ela se ligou que ela podia ter quebrado o pé dela pelo menos umas três vezes nesse trajeto, mas que ela tava tão desesperada que isso dava o desespero de dar para a gente poderes que a gente não sabe que tem, né? Que ela descobriu a capacidade de equilíbrio no correr em uma rua, rampa molhada. É isso aí. E é o desespero que dá. E aí de lá, novamente a gente se separou, né? A gente se encontrou, comemos um negocinho, compramos cachaça e aí depois a gente se separou porque uma das meninas foi andar pela cidade. Enquanto a psicanalista e eu nós fomos no Museu da Inconfidência, ela já tinha ido. Ela não queria voltar lá porque ela achou muito pesado. E aí lá dentro nós também nos separamos, eu e a psicanalista, porque a gente foi vendo as coisas no nosso tempo, cada uma seguindo seu baile. Speaker 1 (00:14:28) - E aí, parceiro, Ali eu passei raiva. Nossa, eu passei raiva por vários motivos. Eu passei raiva porque a nossa história é muito cruel, porque a agressividade da escravidão nunca vai ser algo que não vai me abalar, e também porque existem pessoas que às vezes merecem tomar um socão no meio da cara só por puro mau caratismo. E é nesse último ponto que eu queria falar que acho que foi uma das coisas que me deu raiva momentânea, porque os outros são raivas mais históricas. Essa é uma raiva que bateu. Ela não acreditam que está acontecendo porque lá no museu tinha uma família que entrou mais ou menos na mesma hora que eu. E que conste aqui que quando você passa pela catraca, a pessoa fala para você a pessoa que te recebe no museu ela fala assim a primeira coisa não pode tirar foto com flash e não pode encostar nas peças. Tudo bem, bem vindo. Vai conhecer tudo. Beleza? Aí a gente chegou, eu, a minha amiga, minha colega e essa família também entrou mais ou menos junto com a gente. Speaker 1 (00:15:15) - E essa família saiu simplesmente tocando em tudo. Ai uma porta de madeira bota a mão, tudo que não era protegido por vidro, eles estavam metendo a mão assim, não era uma família que não tinha orientação com relação a como se portar num ambiente com artefato histórico. Era uma família abastada, uma família que tinha dinheiro. Dá para ver que eles tinham dinheiro, sabe? Veio o segurança, com toda a educação do mundo, falou Gente, não encostem nas peças. São artigos históricos. E eles começaram a dar um show. Speaker 3 (00:15:39) - Como assim não pode encostar que não sei o quê? Speaker 1 (00:15:42) - E o segurança, muito educado inclusive, que eu teria respondido com deboche Mas por isso que eu não trabalho nessa área. Ele virou e falou assim Gente, vocês foram orientados na entrada que vocês não podem fazer fotos com flash nem encostar nas peças. Só peço que vocês não encostem, pois estavam encostando e aí eles deram um piti e depois eles ficaram de deboche. Speaker 3 (00:16:00) - Ai cuidado quando você andar para você não encostar nas peças tá? Speaker 1 (00:16:04) - Isso foi me subindo. Speaker 1 (00:16:05) - Uma raiva tão grande gente, porque assim a forma como eles estavam lidando com o funcionário que só estava lembrando eles do óbvio e com o museu, que a própria existência dele, daquele museu especificamente e para falar sobre uma situação de desrespeito, de violação de direitos e tal. Tudo isso, a atitude deles foi extremamente desrespeitosa. Foi desrespeitoso de uma maneira profissional com a pessoa que trabalhava lá e foi desrespeitoso com o lugar e o que ele representa em si. E isso me deixou muito puta da minha vida, tá? E aí, logo depois, Well, a gente passou por um dos artefatos. Era uma urna de votação de papel. Sabe que você vai enfiando os papeizinhos para depois fazer contagem igual tem nos Estados Unidos. E aí eles pegaram e olharam para a urna e falaram assim Ah. Speaker 3 (00:16:55) - Essa urna aqui ela não pode ser fraudada kkkkkkk. Speaker 1 (00:17:02) - Eu olhei para cara dele que nessa hora eu não consegui disfarçar a minha cara e aí eu peguei e olhei para a cara dele pensando Meu parceiro, mas você é realmente muito burro, hein? Guardei esse meu ódio e saí de perto, porque nada paga a minha paz de espírito. Speaker 1 (00:17:18) - Mas como assim? Ninguém é 100% bom nem 100% ruim? Eu só me reaproximei deles em dado momento porque tem uma escadaria grandona e que dá para fazer umas fotos. Muita série, sabe? E a família se posicionou de uma maneira a tirar essa foto numa hora que ninguém estava subindo a escada. E aí eu reparei eu ia ter que passar por essa escada um pouco depois deles e daria tempo de eles fazerem essa foto. Mas aí eu acelerei o passo, subi as escadas correndo e no meio dela eu comecei a andar muito devagar e nessa outras pessoas foram chegando na escada e eles não puderam tirar as fotos, eles tiveram que sair. Depois que mais gente chegou eu peguei só subir a escada normalmente, fui para o segundo andar ver o que faltava. Rindo muito por dentro cada um luta com as armas que tem, né gente? Vamo que vamo! Ao final dessa minha visita ao museu, reencontrei minhas mosqueteiras e nós fomos almoçar num restaurante de comida caseira. Sabe sensação cional chamado Tiradentes, que tem ali pertinho do Museu da Inconfidência. Speaker 1 (00:18:13) - E aí nós pretendíamos em outro lugar, depois mais gente, depois de um almoço bem assim, um prato bem servido de comida caseira mineira não tem ânimo que se sustente. Então o que nós fizemos? Nós voltamos para o hostel, as minhas amigas foram tirar uma soneca e eu fui arrumar as minhas malas, porque 04h00 eu ia voltar para Belo Horizonte. Aí deu 04h00, eu encontrei meu BlaBlaCar, dessa vez perto do centro histórico, graças a Deus. E eu voltei de Belo Horizonte para cá, para a cidade também com o outro BlaBlaCar. Nisso, quando eu cheguei em casa, eu tava meio pensativa. Por quê? Porque ao longo da viagem houve dois momentos em que eu realmente travei na entrada de lugares. E assim a primeira foi na igreja do Aleijadinho, que tem as obras dele, onde o corpo dele estava velado, não na igreja, mas tinha um ponto que era a entrada de onde ficava o túmulo de um padre. Não lembro o nome desse padre porque eu simplesmente não consegui entrar, mas eu não consegui entrar, como se tivesse uma parede de vidro na minha frente, sabe? Eu estava muito no embalo para entrar ali. Speaker 1 (00:19:10) - Eu travei de um jeito que eu dei até uma picada, assim não consegui. E uma das minhas companheiras de aventuras que era que estava comigo no dia enquanto a outra fazia as consultas dos pacientes. Ela é meio espiritualizada, ela vê umas paradas e tal. Aí ela virou para mim e falou que ela sabia porque que que eu tinha travado e eu olhei para a cara dela muito séria e falei assim Então não me diz que Deus protege os ignorantes? Tá bom, obrigada. É a segunda vez eu tentei entrar numa capela, foi no final do walking tour e assim eu sentia que não vai ir, mas eu peguei e falei assim rapidinho da nada não peguei, entrei, eu entrei, eu dei uns dois ou três passos para dentro da capela e aí a minha perna esquerda ela começou a doer de um jeito como se fosse o nervo bem no meio da perna e começou na coxa e foi descendo e eu virei e falei assim gente, que bagulho bizarro! Peguei e saí. Eu saí de dentro da igreja, minha perna parou de doer. Speaker 1 (00:20:01) - Aí nisso que eu saí, as outras dois meninas já vieram também lá de dentro e aí uma delas virou para. Me falou assim e eu também não consigo ficar lá dentro não, né? Aí eu olhei pra cara delas e falei não me digam o porquê. Tá bom? Obrigada. É assim. Eu tinha visto no documentário que Ouro Preto é um lugar meio carregado e tal, principalmente por conta dessa história do sofrimento que ocorreu no desenvolvimento da cidade por conta dos escravizados. Isso tudo. Mas nesses dois momentos específicos, meu parceiro, o bagulho foi doido, eu fiquei cagada, falei assim gente, que bagulho bizarro, cê tá maluco? Mas eu não me estendi muito nesses pensamentos, né? Porque quando eu cheguei em casa, os meus três cães, eles tinham ficado dois dias e meio livres para fazer o que eles quisessem, então minha casa tava toda cagada e mijada e eu tive que simplesmente 20h08 e pouca né? Quando eu cheguei eu tive que ir catar cocô, passar pano molhado, passar desinfetante, limpar minha casa. Speaker 1 (00:20:53) - Então não deu tempo de ficar muito remoendo esses pensamentos, porque é só depois que a casa está limpa que você vira e fala agora eu cheguei E foi isso. A minha volta de Ouro Preto acabou comigo passando desinfetante em casa, mas o meu parecer sobre a cidade em si e a cidade linda tem como você comer e beber bem pagando um preço justo. As igrejas são lindíssimas, se você for meio sem se Márcia, você vai ver ou sentir alguns espíritos. Não conte para quem não vê o que você viu. A galera em sua maioria é uma galera bem receptiva, bem legal. Comprem souvenirs na feira de artesanato, souvenir, Souvenirs feitos em pedra sabão são lindíssimos, Eles ficam muito bonitinhos em decoração de casa E pelo amor de Deus, vocês vão usando um tênis bom de escalada, porque meu parceiro muita rampa mesmo E as calçadas de pedra sabão, Elas escorregam de verdade. Se tu não quiser arrumar uma merda nessa perna, você não vá com um sapato que tenha qualquer tipo de salto ou que seja derrapante. Speaker 1 (00:21:53) - Tem que ir com coisa antiderrapante, porque senão vocês vão acabar torcendo alguma coisa ou só lesionando um tendão e tendo que tomar anti-inflamatório por uma semana igual eu fiz. Tá bom. E aí, meus amores? Esse é o meu diário de bordo sobre as partes boas e os pequenos perrengues e os medos de entidades que eu conheci e vivenciei em Ouro Preto. Espero que vocês tenham gostado. E o primeiro episódio ele é experimental, Quero que vocês me deem feedback se gostaram da forma como eu abordei, se preferem uma abordagem um pouco mais séria, mais gente. A cidade de Ouro Preto formada entra na onda. Ou se vocês gostam dessa dinâmica mesmo, de que merda que aconteceu, onde que eu me machuquei, que eu fiz, onde que é caro? Onde não é? Como é que come? Ele passeia nesse canto, passeia naquele outro. Se vocês preferirem, nessa dinâmica, me dá o feedback que a gente vai ajustando. E esse, meus amores, foi o primeiro passeando.